Revista geo-paisagem (on line)

 

Ano  10, nº 19,

 

Janeiro/Junho de 2011

 

ISSN Nº 1677-650 X

 

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Onde começa a geografia brasileira?  Seria no Instituto Histórico Geográfico Brasileiro? A geografia brasileira começa no IHGB!

Helio de Araujo Evangelista

 

Resumo

O texto aborda o início da produção geográfica brasileira. Há diferentes etapas enfoques e aspectos desta questão. O Instituto Histórico Geográfico Brasileiro foi decisivo neste processo. Assim, é nosso intenção tratar da importância do IHGB.

Palavras-chaves: Geografia , ciência, proposta

Abstract

The author examines the origin of Brazilian geography as a science. There is different ways to develop the question.  The Brazilian Geographic Historical Institute was very important for  it. So, we aim to discover how important IHGB is.

 

Key-words: Geography, science, proposal

 

Apresentação

            BINGO!

            Esta é a sensação quando se estuda o IHGB e mantém a intenção que vem percorrendo os textos mais recentes encontrados na revista Geo-paisagem. Bingo porque pela primeira vez se percebe um projeto que articula produção de conhecimento, conhecimento geográfico, entre outros, com relações de interesse irmanados por um projeto de poder.

            IHGB é fruto de uma expressão de poder, empresarial, intelectual, segmentos do estado então em formação!

            Tendo em conta todo o resgate elaborado por Wilson Martins em História da Inteligência Brasileira, não há algo paralelo nesta história até então ao que ocorre na conformação do IHGB.

            Em interessante artigo de autoria de Maria das Graças da Lima, encontrado nos Anais do I Encontro Nacional de História do Pensamento Geográfico (eixos temáticos, 1999, vol. 1, p. 200-206), é possível acompanhar seu destaque para Aires de Casal, considerado o pai da geografia brasileira, segundo Auguste de Saint-Hilaire, por força de seu pioneiro estudo corográfico sobre o Brasil. Seria esta a origem da geografia brasileira?

            Tendo a discordar desta posição. A obra de Aires de Casal é um marco. Mas um marco! Fica nisto! É um fenômeno ilhado! Já a produção do IHGB apresenta um processo, o Brasil se descobre nele. Em Aires de Casal há um retrato! Enfim, ao fim e ao cabo, estamos tratando de aspectos bem distintos nesta nossa preocupação sobre a origem da geografia brasileira.

            Afirmar que uma obra ensejou uma geografia ... o que vem após ela? No caso de Aires de Casal, a resposta é nada! [1]

            Enfim, não se é difícil concordar com Auguste de Saint-Hilaire, a depender da referência do que se entenda por origem de alguma coisa, mas para efeito de estudo sobre o tema da geografia brasileira, parece ser mais procedente considerarmos o IHGB como base e tranpolim para todo um processo que incluiria mais tarde a Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro (mais tarde Sociedade Brasileira de Geografia, confira em www.feth.ggf.br/socgeorio.htm ), o Serviço Geográfico do Exercito (confira www.feth.ggf.br/servigeox.htm) e bem mais tarde a própria criação do Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (veja www.feth.ggf.br/FIBGE.htm ) .

 

No IHGB, pela primeira vez

 

            Por várias vezes já tido ido ao IHGB. Por várias vezes recorri ao seu acervo, precioso acervo. Lá descobri artigos de tempos imemoriais sobre limites territoriais, sendo um especialmente marcante sobre limites na Província do Pará da metade do século XIX!

            Tenho particular honra em ver registrada minha produção sobre o Rio de Janeiro guardado em seu acervo. Em que pese ser tema pouco antigo, retratam o século XX, não tenho dúvida que após minha passagem entre as pessoas que me são caras, o IHGB continuará em sua trajetória e ficará em seu registro alguém, entre tantos, andou refletindo sobre o Rio de Janeiro.

            Porém, quando resolvi, para este artigo analisar o IHGB, é como se me invadisse uma sensação primeva, como se olhasse pela primeira vez aquela entidade. E como se ao olhar um espelho para reconhecer uma identidade, passava num dado momento a reparar no próprio espelho.

            Assim, de certo modo, descrevo abaixo a primeira vez que adentrei no IHGB, pela primeira vez por força de um novo olhar!

            Ao chegar no 10º andar, ao sair do elevador, deparamo-nos com treze imagens (das quais algumas fotografias) retratando cada presidente da entidade. Assim, de 1838 (ano de sua fundação) até 1996 (último presidente, reeleito até hoje), em 158 anos portanto, tivemos apenas 13 presidentes. Na relação, ao menos em nossa visita de outubro de 2010, não consta a fotografia do atual presidente Arno Wehling, mas contando com este temos quatorze presidentes, ou seja, uma média de onze anos por titular.

            O presidente mais longevo foi sem dúvida o Sr. Embaixador José Carlos Macedo Soares, que presidiu a entidade de 4/5/1939 até 28/1/1968. Em seguida o Sr. Candido José de Araujo Viana, marques de Sapucaí (1847-1875) e o Sr. Afonso Celso de Assis Figueiredo Jr., conde de Afonso Celso, de 11/2/1912 até 11/7/1938. Ou seja, apenas três pessoas ocuparam 83 anos da história da entidade; quase metade da história do IHGB até os dias de hoje veio a ser marcada por estas três pessoas.

            Em resumo, é uma entidade que conta com o tempo, com a persistência no tempo, para demarcar a persistência de sua identidade na história brasileira. É uma entidade sem pressa!

 

Primeiras leituras

 

            Com orientação do secretário local, passei a me dar conta que o relato sobre a história do IHGB envolve um embate. O seu legado depende de algumas preferências, tendências. Como se o que fosse dependesse dos sabores! Das circunstancias! As coisas não são, se interpretam! Se encaminharmos por esta trilha, Deus nos acuda! Daqui a pouco passaremos a duvidar se  o IHGB de fato existe... Por mais relativista ... é conveniente moderação!

            Mas a principal questão é a seguinte: quando surge a geografia brasileira? Parece-me que o embrião deste processo tem no IHGB um agente fundamental!

            Mas como, em que termos? É o que veremos a seguir!

 

 

IHGB é assunto de intelectuais

 

            Arno Wehling em sua reflexão sobre a entidade que preside desde 1996 observa que em 1843 o IHGB promoveu um concurso cujo tema era: “Como se deve escrever a história do Brasil”, cujo vencedor foi o naturalista bávaro Karl Von Martius e respectiva monografia. (2010, p. 52) Ou seja, desde a primeira hora a entidade está envolvida com a conformação de uma interpretação do Brasil, correlato a isto, ainda ocorria o papel de salvaguarda da memória nacional. Dupla função que nem sempre alcançava adequada utilização de meios (ibidem, p. 54). [2]

 

IHGB é assunto de empresários[3]

 

 “Em 1820, com mais duzentos outros subscritores, Ignácio Alvares Pinto de Almeida pede ao Governo Imperial de D. João VI que lhe permita instalar uma sociedade civil. A idéia parte de um homem de grande visão e crítica, que concebe uma instituição destinada a orientar parte da classe dirigente na afirmação de seus interesses imediatos...

Em 19 de outubro de 1827 é instalada solenemente a Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional. O Secretário Ignácio Alvares Pinto de Almeida, em discurso, define o seu objetivo, que é precipuamente “cooperar para a felicidade Nacional”. Para isto está “convencido de que nenhum país floresce, e se felicita sem indústria; por ser ela o móvel principal da prosperidade e da riqueza, tanto pública, como particular de uma nação culta e realmente independente.”

...

A primeira sessão é em 28 de fevereiro de 1828: seu Presidente é o Visconde de Alcantara e fazem parte da diretoria o Brigadeiro Francisco Cordeiro da Silva Torres, João Fernandes Lopes, Manoel José Onofre, João Francisco Madureira Pará, Conselheiro João Rodrigues Pereira D’Almeida e Ignácio Alvares Pinto de Almeida. O Visconde de Alcantara, cujo nome é João Inácio da Cunha, rege a instituição de 1827 a 1831. Com a sua retirada, o substituem outros consócios, mas, os períodos mais brilhantes são os do Marques de Abrantes (1848-1865), o do Visconde do Rio Branco (1865-1880) e o de Nicolau Joaquim Moreira (1880-1894).

A Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, no entanto, objetiva determinados fins e para isso se organiza como sociedade civil. Os seus diversos Estatutos demonstram a idéia e, através do tempo, a ampliação de objetivos. No primeiro Estatuto, redigido em 1824, fala-se que a composição da Sociedade será de sócios efetivos e honorários, dirigida por um Presidente, um Vice-presidente, um Secretário, um Tesoureiro e dois Adjuntos; o Presidente é de confiança pessoal do Imperador (Capitulo 1.). Efetivos são os membros da diretoria ou pessoas que sejam donas de “Invento novo, Modelo, Máquina ou Memória de Conhecida utilidade”; ou contribuam com valor de duzentos mil réis. Honorários são os que se ligam à Sociedade (Capitulo 2. ). No Capítulo 3. especifica-se que “haverá uma Casa, que sirva de Depósito, e Conservatório das Máquinas, e Modelos, que se adquirem e onde as mesmas máquinas, e modelos estejam em ordem, e asseio, não só para a sua conservação, mas para a sua exposição ao Público, às quintas-feiras de cada semana, e em qualquer outro dia aos “Artistas e Fabricantes”, que se quiserem consultar a fim de que possam ser vistas comodamente, e copiadas pelas pessoas que nisso tenham interesse ...” No capítulo 5. volta-se a afirmar que “é de obrigação, e positivo dever desta Sociedade a aquisição, arrecadação e conservação das Máquinas, Modelos e Inventos adquiridos, e de quanto por este meio possa concorrer, para aumento e prosperidade da Indústria Nacional desse Império, devendo porém mandar vir com preferência aquelas Máquinas, ou Modelos, que forem mais necessários, e úteis à Agricultura. Fábricas, e Artes, como as bases mais sólidas e importantes da prosperidade de um País”. No capítulo 6., especifica-se as diversas seções, privadas e públicas e seu ritmo de convocação: em cada mês (Sessão econômica), de três em três meses (ordinária), extraordinária e pública (uma vez por ano).

Em 831, há a primeira modificação dos Estatutos, que clareia alguns tópicos, repete outros e afirma que a Sociedade “tem por fim promover, por todos os meios ao seu alcance, o melhoramento, e prosperidade da indústria no Império do Brasil.” Em 1848, a nova redação é mais ambiciosa: a Sociedade tem por fim promover por todos os meios ao seu alcance o aperfeiçoamento da agricultura, das artes, dos ofícios, do comércio e da navegação do Brasil; a auxiliar a nossa nascente indústria com prêmios, certificados, publicações e exposições, segundo o uso das nações mais adiantadas na civilização” (art. 1. ); nos artigos 2. e 3. mostra-se que para obter este fim é preciso colecionar máquinas e expo-las ao público, publicar periódico mensal, desenvolver biblioteca, administrar aulas sobre (p.20) doutrinas industriais, corresponder com Sociedades estrangeiras etc. medidas estas que já funcionam desde a década de 1830. Em 1857, em nova redação, os Estatutos rezam que a Sociedade “tem por fim promover por todos os meios ao seu alcance o melhoramento e a prosperidade dos diversos ramos da indústria do país, e auxiliar o Governo sempre que por ele for consultada sobre todas as questões concernentes aquele fim”; para atingir os seus objetivos estabelecerá uma escola prática de Agricultura, cursos teóricos, um Museu industrial, exposição geral e parcial dos produtos industriais e artísticos, um periódico etc. (Capítulo 1.). Burocraticamente, haverá sessões de Agricultura, indústria fabril, Máquinas e aparelhos, artes liberais e mecânicas, comércio e meios de transporte, geologia aplicada e químicas, comércio e meios de transporte, geologia aplicada e química industrial, melhoramentos das raças animais (Capítulo 4). Em 1869, o novo estatuto introduz outros detalhes, entre eles os que tratam das sessões, em que se acrescenta o de Zoologia, de estatítisca industrial, de colonização e estatística e o de finanças da Sociedade (Capítulo 4.). E aparece um artigo novo, rezando que “sua Majestade o Imperador é considerado como Presidente Perpétuo da sociedade enquanto se dignar conceder-lhe esta Graça(Capítulo 2., artigo 4.).

(p.23)

Afinal, há um último ponto a assinalar a favor da Sociedade: é por sua iniciativa que se funda o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. A história é a seguinte: o 1. Secretário Marechal José da Cunha Matos e o famoso Cônego Januário da Cunha Barbosa, em 18 de agosto de 1838, fazem proposta para a criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. No dia seguinte a idéia é aprovada e em 21 de outubro de 1838 o IHGB é instalado. Dele fazem parte (p.24), a grosso modo, os membros da Sociedade, cuja primeira presidência cabe ao Visconde de S. Leopoldo. Por proposta do Cônego Januário, o futuro Imperador aceita o título de protetor do Instituto. Só em fevereiro de 1839 é que o IHGB acha acomodações próprias, retirando-se do prédio da Sociedade Auxiliadora da Industria Nacional.    

 

IHGB e seus fundadores

José Feliciano Fernandes Pinheiro[4]

 

Da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, precursora do Instituto Histórico, o visconde de São Leopoldo, fora sócio, depois eleito vice-presidente e dizia ele: “Tive alguma parte nesta Instituição, como se vê do Aviso de 18 de julho de 1837, em que, sendo então ministro do Império, declarei a aprovação dos Estatutos apresentados, e a nomeação da primeira mesa, etc., etc.” Do Instituto Histórico, foi logo eleito presidente perpétuo. (p.130)

(p.131)(o visconde relata o quanto os jesuítas escreveram sobre o Brasil e vem a ser um material inédito e pouco conhecido, fazendo votos para que fossem publicados, incluindo Southey como um de seus usuários para compor sua obra)

(na pág. 137 registra-se que ele estava a compor uma História Geral do Brasil, uma das grandes ambições da época, justamente para marcar diferença em relação à história portuguesa)

 

Raimundo José da Cunha Matos[5]

 

Faro, a capital do Algarve, em Portugal, é uma pequena cidade de 12.000 habitantes, banhada pelo Atlântico...Nessa cidade meridional, sob o lindo céu da pátria lusitana, nasceu, a 2 de novembro de 1776, Raimundo José da Cunha Matos, que veiu (sic) a ser mais tarde marechal de campo do Exército Brasileiro, deputado às duas primeiras legislaturas do Império, pela província de Goiaz (sic), fundador do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, secretário geral da Auxiliadora da Indústria Nacional, vogal do Conselho Supremo da Justiça Militar, sócio correspondente do Instituto Histórico  de França, da Sociedade Burbônica (sic) e da Academia Real de Ciências de Lisboa: oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro, Comendador da de São Bento de Aviz, etc.

(p. 161) Em 18 de agosto de 1838, reunido o conselho administrativo da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, leu o seu 1º secretário, o marechal Raimundo José da Cunha Matos, uma proposta também assinada pela figura expressiva, cônego Januário da Cunha Barbosa, com o título de Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Desmembra-se da associação já existente, outra, com denominação mais ampla, e de finalidades muito mais gerais. É o caso da filial trazer consigo um destino muito mais brilhante e percuciente. Ela seria uma expressão de nacionalidade.

Ora, não puderam criar antes, porque a História do Brasil estivera depender da independência do povo, que só agora se emancipava...[6]

 

Cônego Januário da Cunha Barbosa [7]  

 

O primeiro secretário que teve o instituto Histórico foi figura eloqüente, famosa, que .se destacou em quase todas as situações históricas de seu tempo. (p. 171)

No Seminário de São José fora discípulo do grande pregador e mais tarde bispo de Angola, frei Antonio de Santa Ursula Rovalho, aulas freqüentaram as grandes figuras do púlpito daquele tempo como São Carlos, Sampaio, e Monte Alverne.

Em 1808, concluídos os estudos no Seminário, toma as ordenas de subdiácono, e dois anos mais tarde, tendo ele então 23 anos de idade, é sagrado sacerdote pelo Bispo do Rio de Janeiro, d. José Joaquim Justiniano Mascarenhas Castelo Branco.

Pela grandeza que tem a Igreja, em contraposição à simplicidade da vida de outrora, no Brasil, o cerimonial da sagração tinha, aos olhos do povo, expressão extraordinária, e assistia a essas festas solenes muita gente cheia de respeito, e, ainda mais, de interesse motivado pela significação que encontrava na vida do sacerdote, por vezes de grande projeção social. (p. 171)

Ora, desde maio de 1846, Januário estará substituído na Câmara dos Deputados pelo futuro visconde de Uruguai, Paulino José Soares de Souza. Paulino representará a recrudescência da força dos conservadores, a volta de Vasconcelos, e a queda dos liberais, a cuja frente Aureliano se mantém até 1848, quando desiludido da política, desce da presidência da província do Rio de Janeiro.

A morte de Januário, entretanto, estava próxima. Conta o seu sobrinho: “Enquanto o povo fluminense assistia ao primeiro baile mascarado, realizado no teatro São Januário, à praia de d. Manuel, a 22 de fevereiro de 1846, falecia de uma febre intermitente perniciosa, à rua dos Pescadores n. 80, aquele que tantos serviços prestara à sua pátria”.

...Ao baixar o corpo à sepultura, levantou a voz o orador do Instituto Histórico, Manuel Araujo de Porto Alegre. (p. 198) [8]

 

IHGB é assunto de estado

 

                        Pela obra de Max Fleiuss, intitulada O Instituto Histórico através de sua Revista, é factível anotar o volume da produção após cem anos de existência, no caso em 1938. De certa forma a revista atuava como um balão de ensaio onde se ia registrando toda a produção passível de ser registrada sobre o Brasil e com isto criando um acervo sistemático. Este acervo mostra-se incompleto, afinal o tamanho do país estava a exigir um outro tipo de instrumento que o IHGB em parte supria.[9]

 

IHGB é assunto da geografia , uma avaliação

 

            A geografia brasileira existe uma antes do IHGB e bem outra com o IHGB. Antes do IHGB, geografia brasileira era coisa de estrangeiro, ou de algum freqüentador de acervo mantido por mosteiros.

            Com o IHGB a geografia brasileira adquire uma conotação, historizizada (certamente), mas tem uma produção mais ampliada, com uma audiência mais diversificada. Enfim, começa a ocorrer uma combinação de talentos. Pessoas, funcionários, professores, acorrem para os seu corredores para escutarem relatos, aplaudir empresas, enfim, passam a respirar Brasil! [10]

 

 

Fonte de consulta

Bibliografia

 

BARBOSA, Januário da Cunha. Lembrança do que devem procurar nas províncias os sócios do Instituto Histórico Brasileiro para remeterem à Sociedade central no Rio de Janeiro. Revista do IHGB, t.1, 1839. (O primeiro tomo contém também as atas das primeiras sessões, nas quais essas propostas foram explicitadas.)

 

BITTENCOURT, Feijó . Os fundadores. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1938.

BURMEISTER, Hermann - Viagem ao Brasil através das províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais ( 1ª ed. em 1853 ). Trad. Manoel Salvatena e Hubert Schoenfeldt . São Paulo: Livr. Martins Ltda, 1952.

CARONE, Edgard. O centro industrial do Rio de Janeiro e sua importante participação na economia nacional (1827-1977). Rio de Janeiro: Editora Catedra, 1978.

CRUZ, Aline . Subvenção e política cientifica no século XIX ... In http://www.fflch.usp.br/dl/cedoch/downloads/boletim7_85-97.pdf Acesso em 13 de setembro de 2010

EVANGELISTA, Helio de Araujo . A Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro. In Revista geo – paisagem (on line), Volume 1, número 1, Janeiro/junho de 2002,  www.feth.ggf.br/socgeorio.htm 

­­­­­­­­­­­­­______________ Onde está a geografia na Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística? In Revista geo – paisagem (on line), Volume 4  , número 7, Janeiro/junho de 2005,  www.feth.ggf.br/FIBGE.htm

FLEIUSS, Max . O Instituto Histórico através de sua Revista. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1938.

GARDNER, George - Viagens no Brasil- principalmente nas províncias do Norte dos distritos de ouro e do diamante brasileiro durante os anos 1836-1841. Biblioteca Pedagógica Brasileira. Coleção Brasiliana vol. 223. Rio de Janeiro: Cia Editora Nacional, 1942.

LIMA, Maria das Graças de – Percurso da geografia escolar: um resgate da leitura de Caio Prado Jr. sobre corografia brasileira In Anais do I Encontro Nacional de História do Pensamento Geográfico, Unesp – Rio Claro (SP), Eixos temáticos, 1999, vol. 1, p. 200-206.

GUIMARÃES, Manoel Luís Salgado. Nação e Civilização nos Trópicos: o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o projeto de uma história nacional. Estudos Históricos, n. 1, pp. 4-27, 1988.

 

GUIMARÃES, Lúcia Maria Paschoal. Debaixo da imediata proteção de sua majestade imperial: o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1838-1889). In: Revista do IHGB, Rio de Janeiro, a. 156, n. 388, p. 459-613, jul.- set. 1995.

 

GUIMARÃES, Lúcia Maria Paschoal. O império de Santa Cruz: a gêneseda memória nacional. In: Ciência, civilização e império nos trópicos. HEIZER, Alda e VIDEIRA, Antônio Augusto Passos (Orgs.). Rio de Janeiro: Access, 2001.

 

GUIMARÃES,Manoel Luiz Lima Salgado. Nação e civilização nos trópicos: o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o projeto de uma história nacional. In: Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 1, n. 1, p. 5-27, 1988.

GUIMARÃES, Manoel Luiz Lima Salgado. A Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e os temas de sua historiografia (1839-1857). Fazendo a história nacional. In: WEHLING, Arno (Coord.). Origens do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro: idéias filosóficas e sociais e estruturas de poder no segundo reinado. Riode Janeiro: IHGB, 1989, p. 21-41.

KIDDER, D.P. e J.C. Fletcher - O Brasil e os brasileiros ( esboço histórico e descritivo ) ( 1ª ed. nos EUA, Filadélphia, em 1845) .Trad. Elias Dolianiti, 1º vol. Coleção Brasiliana vol. 205. São Paulo: Editora Nacional, 1941.

PFEIFFER, Ida - Voyage d’une femme autour du monde . Paris: Librairie de L. Hachete, 1858.

SCHWARCZ, Lilia Moritz. Os guardiões de nossa história oficial: os institutos históricos e geográficos brasileiros. São Paulo: IDESP, 1989.

SILVA, José Luis Werneck. Isto é o que me parece... Dissertação de mestrado em história da Universidade Federal Fluminense, 1979.

TSCHUDI, J. J. Von - Viagem às províncias do Rio de Janeiro e São Paulo ( 1ª ed. em Leipzig, 1860 ). Int. de Affonso de E. Taunay e trad. Eduardo de Lima Castro. São Paulo: Comissão do IV Centenário da Cidade de São Paulo, 1953.

RODRIGUES, Neuma Brilante. O amor da pátria ... As origens da nação na Revista do IHGB (1839-89). Dissertação de mestrado, programa de pós-graduação em história da Universidade de Brasília, orientadora, Lucia Maria Guimarães, 2001.

WEHLING, Arno. De formigas, aranhas e abelhas. Rio de Janeiro: Instituto Histórico Geográfico Brasileiro, 2010.

Documentos

 

 

Endereços virtuais (consulta em 13 de setembro de  2010)

 

 

http://iealc.fsoc.uba.ar/hemeroteca/elatina30.pdf

 

http://enhpgii.files.wordpress.com/2009/10/charlles-da-franca1.pdf

 

http://www1.capes.gov.br/teses/pt/2004_mest_ufrj_luiz_cristiano_o_de_andrade.pdf

 

http://www.fsj.edu.br/judiciario/JUDICIARIO_FLUMINENSE_INTERIOR.pdf



[1] Não faltaram obras sobre a chamada geografia brasileira, tais com: BURMEISTER, GARDNER, KIDDER, D.P. e J.C. Fletcher , PFEIFFER, Ida e  TSCHUDI, J. J. Von. Mas a questão é: qual o efeito gerado? Não raro eram textos eram textos de difícil acesso a começar pela própria língua que utilizava. Enfim, é no IHGB que a corografia passa a ter uma conotação mais doméstica. A produção fica mais popularizada. As discussões adquirem audiência pública com as sessões abertas pelo IHGB.

[2] Cabe aqui chamar a a atenção do trabalho aqui utilizado – De formigas, aranhas e abelhas, reflexões sobre o IHGB – de Arno Wehling, editado pelo próprio IHGB, embora resumido, é útil, e atualizado material de apoio na caracterização das diferentes fases da entidade.

 

[3] Segue abaixo trechos da obra O Centro Industrial do Rio de Janeiro de Edgard Carone, 1978, p. 16, 17, 19, 20 e 23. Em que pese longo, é útil a presente passagem porque é não é acessível uma história tão bem resumida como esta que se segue.

 

[4] Segue abaixo trechos da obra Os fundadores de Feijó Bittencourt, 1938. Sobre José Feliciano Fernandes Pinheiro (visconde de São Leopoldo), primeiro presidente do IHGB, nasceu em 9 de maio de 1774 e faleceu de uma pneumonia em Porto Alegre (Província de São Pedro do Rio Grande do Sul) no dia 5 de julho de 1847, p. 21-139.

[5] Segue abaixo trechos da obra Os fundadores de Feijó Bittencourt, 1938, sobre Raimundo José da Cunha Matos, p. 143...

[6] O que chama a atenção neste trecho é a parceria entre um militar pouco afeito às sutilizas da retórica e mais voltadas a proferir voz de comando, e um cônego, este sim um homem de imaginação (como se refere o texto), mas que atua em concordância com  seu colega militar. Outro aspecto diz respeito ao atrelamento do IHGB ao escrito de uma história nacional, ou seja, não tratava-se de constituir uma escola de pensamento brasileiro, mas sim alcançar um produto, uma história que não se confundisse com o que já havia sido registrado sobre Portugal. Inclusive, na p. 164-5, se realiza uma retomada dos que até então tinham se ocupado com a história brasileira segundo Cunha Matos. Este faleceu em 23 de fevereiro de 1839, portanto, sua marca no IHGB se resumiu a que este passasse a existir.

 

[7] Segue abaixo trechos da obra Os fundadores de Feijó Bittencourt, 1938, sobre Cônego Januário da Cunha Barbosa, p. 171 ...

[8] Pelo longo histórico encontrado Januário, jornalista, deputado, veio a somar força com o grupo liberal, mentor da Sociedade Auxiliadora quanto do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro. Mas um grupo que à época não logrou muito sucesso comparado ao grupo conservador.

 

[9] A criação do Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (1938)  diretamente vinculado à presidência da República, de certo modo sinaliza uma nova fase em termos de geração de informações sobre o Brasil.

 

[10] Naturalmente que lá não é o único lugar onde se respira tal tipo de oxigênio, mas certamente, é, à época, a instituição mais focada para discutir Brasil.