Revista geo-paisagem (on line)

Ano  5, nº 9, 2006

Janeiro/Junho de 2006

ISSN Nº 1677-650 X

Revista indexada pelo  Latindex , Dursi Capes

 

 

 

 

MÉTODOS E TÉCNICAS APLICADOS A GESTÃO INTEGRADA DOS RECURSOS HÍDRICOS.

                                                                  BORGES, Vania.T. & ALMEIDA, Flávio .G [1]

 

RESUMO

 

          Este presente artigo tem como objetivo apontar metodologias utilizadas para gestão dos recursos hídricos.

           Inicia-se com a conceituação de método e gestão, a teorização do que vem a ser a metodologia utilizada para a gestão dos recursos hidricos, o que é obejeto de estudo, a relação sujeito-objeto, e de categorias eleitas para a gestão (sustentabilidade e região) apoaidas em alguns autores.

 

Palavras-chave: água, gestão, métodos

 

ABSTRACT

 

            This present paper has as objective to point methodologies used for management of hydric resourses.

            It starts with a conception of methodology and management, the theory of what’s the methodology used to the management of hydric resourses, what is objetive of study, the relation subject-object, and the categories elected to the management (sustainability and region) suported by some authors.

 

Keywords: water, controls, methods

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

O método é um conjunto de processos através do qual é possível conhecer uma dada realidade, produzir determinado objeto ou desempenhar certo comportamento. Nesse sentido geral, identifica-se com a noção de meio pelo qual se alcança determinado fim, ou seja, a noção de técnica, de know how. Como tal acha-se ligado fundamentamente ao processo de trabalho e a todas as atividades humanas dotadas de um propósito transformador da realidade. Envolve a exigência de uma crescente adequação entre os meios e os fins, ou seja, de racionalização.  O método palavra que se origina do grego significando “encaminhamento”, “busca”, contrapõe-se assim a obtenção de um resultado pelo tatear ao acaso. Essa conceituação traz implícito o fato de que antes de se elaborar o método é necessário estabelecer o objeto visado.  Entretanto, tal afirmação não pode ser tomada em termos absolutos, pois em muitos casos existe apenas uma intuição, uma pré-ciência do objeto, a estimular a criação do método adequado. Desta forma, a pré-ciência de que existem microorganismos induziu à fabricação de microscópios.

A consideração sobre o caráter UNO do método, como algo único e universal, faz-se presente no livro de Rene Descartes: “Discours sur lá methode pour bien conduire as raison et cherches la vérité dans les sciences (1637)” in.Pesanha, (1999).

            Seja qual for a forma ou modalidade que apresente, o método é sempre a lógica do trabalho, a racionalidade do pensamento e da atividade por meio dos quais os homens procuram conhecer e transformar o mundo natural e o mundo humano.

Admitindo que o Espaço Territorial detenha as quatro propriedades básicas da sustentabilidade ambiental, uma proposta metodológica para a manutenção e a garantia deste estado demanda os seguintes instrumentos, de acordo com Macedo, (1994):

“Modelos de Gestão compatível com a satisfação das necessidades humanas; Modelos de Gestão compatíbeis com a satisfação das necessidades dos demais fatores ambientais; Processos e atividades da Gestão com ótica participativa e orientada para as comunidades; Total comprometimento dos gestores e das pessoas, organizadas ou não, com os conceitos essenciais que balizam a gestão; e, por fim correção ecológica na gestão empresarial e territorial”.Sem estes elementos, a sustentabilidade ambiental simplesmente não poderá ser mantida ou reabilitada.

Parece um sonho ou utopia a realização desses cinco elementos de contorno da sustentabilidade. Certamente o é, se for considerado como referencial o pesadelo do atual modelo de gestão territorial predominante no Brasil e na maioria dos países se formos pensar numa escala global.

A proposta metodológica para manutenção e garantia da sustentabilidade ambiental, contempla quatro instrumentos para gestão ambiental, considerados pelo enfoque presente, como fundamentais, e diversas ferramentas complementares de suporte, não menos importantes. Há uma següencia específica para a aplicação destes quatro instrumentos, a saber:

Ordenamento Territorial;

Plano para desempenho ambiental;

Sistema de Gestão Territorial;

            Sistema de Gestão da Qualidade Ambiental.

De acordo com Macedo, (1994): “o ordenamento territorial, em síntese, consiste em compatibilizar as necessidades do Homem relativas a ocupação e ao uso do solo, com a capacidade de suporte do território que pretende ocupar”.

O mesmo autor afirma que a segunda etapa da planificação com vistas a sustentabilidade, ou seja, o plano, em linhas gerais apresenta três níveis de ação: o estratégico, o tático e o operacional. No nível estratégico são definidos os contornos globais e as orientações gerais para as ações e alvos que o constituem. No tático, são determinados os alvos do segmento ambiental e por fim o operacional onde são programadas as metas de menor prazo e os projetos ambientais necessários a sua consecução.

Para a terceira etapa da planificação, ou seja, sistema de gestão ambiental, Macedo, (1994), afirma que: “o sistema de gestão ambiental – SGA, decorrre da implantação do Plano Ambiental, ou seja, da realização das intervenções determinadas pelo ordenamento territorial, bem como dos projetos, ações imediatas e recomendações constantes do plano”.

Finalmente para Sistema da Qualidade Ambiental, entende-se que são processos periódicos de levantamentos, análises e avaliações detalhadas acerca do nível de conformidade atingido pelo ordenamento territorial por cada uma de suas unidades constituintes, pelo plano e sistema de gestão ambiental derivado, e pelos impactos ambientais resultantes ocorrentes e previsto.

            Para Lanna, (1999): “Gestão Ambiental é o processo de articulação das ações dos diferentes agentes sociais que interagem em um dado espaço, com vistas a garantir a adequação dos meios de exploração dos recursos ambientais - naturais, econômicos, e sócio-culturais”.

            Gestão Ambiental é também uma atividade voltada à formulação de princípios e diretrizes, à estruturação de sistemas gerenciais e à tomada de decisões que tem por objetivo final promover, de forma coordenada, o inventário, o uso, controle, proteção e conservação do ambiente visando a atingir o objetivo estratégico do desenvolvimento sustentável.

            São partes integrantes da Gestão Ambiental, de acordo com Lanna, (1999): “Política Ambiental, Planejamento Ambiental, Gerenciamento Ambiental e o Método de Gerenciamento Ambiental”.

           A Política Ambiental é o conjunto consistente de princípios doutrinatários que conformam as aspirações sociais e/ou governamentais no que concerne à regulamentação ou modificação no uso, controle, proteção e conservação do ambiente.

           O Planejamento Ambiental é o estudo prospectivo que visa a adequação do uso, controle e proteção do ambiente, bem como as aspirações sociais e/ou governamentais expressas formal ou informalmente em uma Política Ambiental, através da coordenação, compatibilização, articulação e implementação de projetos de intervenções estruturais e não estruturais.

                  De forma mais reduzida Planejamento Ambiental visa à promoção da harmonização da oferta e das demandas ambientais no espaço e no tempo. Note-se que propositadamente, usa-se o termo “demandas ambientais” e não “usos do ambiente”, pois muitas demandas não se constituem em reivindicação de uso. Nesses casos, estabelecem-se demandas de não uso para a preservação no “estado natural”, conservação “no estado corrente” ou recuperação, vale dizer, demandas de proteção ambiental.

            Gerenciamento Ambiental, que é o conjunto de ações destinado a regular na prática operacional o uso, controle, proteção e conservação do ambiente e a avaliar a conformidade da situação corrente com os princípios doutrinatários estabelecidos pela Política Ambiental.

Método de Gerenciamento Ambiental estabelece o referencial teórico que orienta os procedimentos, os papeis e as participações dos diversos agentes sociais envolvidos no gerenciamento ambiental. Um método que vem sendo amplamente utilizado adota a bacia hidrográfica como unidade geográfica de planejamento e intervenção, ao contrário de serem adotadas unidades de caráter político-administrativo como o Estado, Município ou distritos.

            Sistema de Gerenciamento Ambiental e Recursos Hídricos é o conjunto de organismos, agências e instalações governamentais e privadas, estabelecido com objetivo de executar a política ambiental através do método de gerenciamento ambiental adotado e tendo por instrumento o planejamento ambiental.

            A gestão dos recursos hídricos deve estar inserida dentro de um contexto maior que é o da gestão ambiental.

            É oportuno salientar que a gestão dos recursos hídricos é diferente da gestão de bacias hidrográficas. A primeira trata somente do elemento água em todos o seus enfoques, que segundo Pereira, (2000) são: “Ciclo hidrológico, qualidade da água, água como insumo energético, aproveitamento da água, e controle da água”. A segunda trata do geossistema bacia hidrográfica, que de acordo com Lanna, (1999), envolve os seguintes elementos: “solo, água, vegetação, fauna, minérios, ar, clima entre outros”.

            Como gerenciamento dos recursos hídricos entende-se que seja um processo dinâmico, ambientalmente sustentável que, baseado numa adequada administração da oferta de água, da quantidade das águas e da disponibilidade hídrica, vai tratar da compatibilização dos diversos usos setoriais da mesma: saneamento, geração de energia, irrigação, navegação, controle, e outros. Tendo como objetivo uma operação harmônica e integrada das estruturas decorrentes desses usos. Coimbra, (1992).

            O primeiro documento que veio normatizar o uso das águas foi o código  das águas , criado em 10/07/34, em que o poder de uso e manejo estava centralizado na União . Um dos principais motivos para a criação deste código destinava-se a geração de energia elétrica visando aumentar o desenvolvimento do país. Neste documento, a água estava estritamente ligada a terra; quem possuisse o solo, possuia também o que estava nele, inclusive a água.  Com esta lei e o desconhecimento dela por parte de muitos proprietários de latifundios, houve a eliminação de muitas nascentes provocadas em grande maioria pelo desmatamento .

              De forma inadequada do uso e distribuição deste elemento e em vias reais de escassez o Brasil viu-se obrigado a reformular a normatização e, baseando-se no modelo de gestão dos recursos hídricos da França, adaptou uma nova forma de gerir tal recurso; assim a Lei 9437/97 veio para direcionar a gestão dos recursos hídricos mudando algumas clausulas. Um dos enfoques polêmicos desta Lei foi o de que a água não era mais um bem privado e, sim, um bem comum e que, também, deixou de ser centralizada a sua gestão contando com a participação da União, Estado, Município, ONGs e de toda comunidade envolvida na região.

          As bacias hidrográficas passaram a ser a base territorial para a gestão.

          A palavra gestão tem sido muito utilizada atualmente e quase sempre entendida como sinônimo de gerenciamento ou administração.

                 O gerenciamento é parte da gestão, é atividade administrativa envolvendo mais especificamente a execução e acompanhamento das ações.

                 A gestão é mais abrangente, atuando no planejamento global a partir das vertentes políticas, econômicas, ambientais que se configura como a própria gestão pública, é um processo bem mais amplo e complexo, mesmo no campo teórico, exigindo legislação própria de difícil interpretação.

        Quando passamos à prática tais leis e princípios  constatamos que eles estão muito além da compreensão da maioria da população e, principalmente, da disposição em aceitá-las, tanto pela sociedade que habituou-se à gratuidade e disponibilidade “infinita” desse recurso natural como nas diversas instâncias governamentais historicamente acostumadas com a administração centralizada.

        A gestão não deve ser tutelada indefinidamente; União, Estados, Municípios, Universidades, Empresas ou qualquer fomentador, incentivador ou mediador deve atuar no sentido da organização e da capacitação local para garantir a auto-gestão.  O envolvimento da comunidade o resgate da auto estima, o chamar para si as responsabilidades são fatores de garantia de continuidade da tão desejada sustentebilidade.

     

SOBRE O OBJETO DE ANÁLISE, SUA RELAÇÃO PARTE TODO  A ESCALA GEOGRÁFICA E A  RELAÇÃO SUJEITO - OBJETO

 

       A Gestão dos Recursos Hidricos enquadra-se sob o ponto de vista metodológico, levando-se em consideração a divisão proposta por Kurt, (1940) e Delay, (1945), das ciências em três categorias: “Ciências Lógico-Matemáticas, Ciências da Natureza e Ciências do Espirito. Na última categoria, que tem por objeto o homem e a ação que exerce na natureza e nos outros homens. A gestão dos recursos hídricos tem por finalidade orientar a maneira mais harmoniosa e racional de utilização dos recursos hídricos, refletindo em beneficio para própria humanidade”.

         Para Faucoult, (1995), o sujeito é alguém que tem a consciência de que o conhecimento é algo que se produz através de interpretação que ele, sujeito, faz sobre as coisas; o objeto, neste caso é fruto da interpretação e depende dos objetivos e da ótica de quem faz a pesquisa e a sua representação.  O que dá valor ao objeto é a sua representação pelo menos para quem não conhece o seu valor de uso. O fato de que o sujeito é o mediador entre o objeto e sua representação deve nos colocar sempre em posição de suspeitas de suas interpretações, porque as representações e interpretações podem conter erros e não corresponderem ao real.

            Mas, se compreender-mos que a união de sujeito e objeto não deve ser buscada na relação e sim, antes dela, na constituição de cada um deles, ou seja, nas constituições respectivas de dois entes que são, cada um por si, inseparavelmente sujeito e objeto, então compreendemos também que uma união que está na constituição mesmo de um ente não pode ser desfeita pela simples relação que ele contraia com um outro ente; e que, ao contrário, esta relação não pode fazer senão manifestar, pela reciprocidade das informações emitidas e recebidas, a união indissolúvel de sujeito e objeto, agora considerada não em cada um desses entes tomado separadamente, mas na inter-relação do subjetivo e objetivo de outro. Esta relação é o que denominamos conhecimento, e ela é essencialmente união de sujeito e objeto.                                                (http: //www. olavodecarvalho.org/textos.htm).

             Latour, (1995), conceitua esta inesperada conexão entre a tecnologia como questão da atualidade e a separação entre política e ciência. Sua atenção se dirige a um fato do cotidiano: a proliferação inesperada de híbridos em nossos jornais. Inumeráveis discursos reúnem em uma mesma prédica a política, a ciência e a natureza. Argumentam e discutem “objetos”, como o buraco na camada de ozônio, a vaca louca e a ovelha clonada, que não sabemos definir com precisão se são naturais ou culturais. Nós, que acreditávamos sermos modernos, que acreditávamos termos separado natureza e cultura, ter uma verdade sobre a natureza e um projeto de emancipação puramente humano, que obsessivamente trabalhávamos para delimitar as fronteiras entre o natural e o cultural e entre o mito e a razão, se dermos atenção a estes discursos, nós perceberemos tão totêmicos quanto as sociedades pré-modernas, já desde sempre hibridados com a natureza para constituirmos sociedade. E o que parece nos diferenciar das sociedades ditas “primitivas” é nossa hybris em nos hibridarmos.   A ciência moderna, com seu método experimental, é a prática inventada pelos humanos que ativamente inclui os não humanos na história humana.  

 A relação entre sujeito e objeto não é única, não é possivél se estabelecer uma relação única quando se vai trabalhar uma questão que envolve ciência, espaço, ambiente, política, comunidade, técnica, economia desenvolvimento econômico e social, nesta relação terá que haver transdisciplinaridade.

                                                                   

ALGUMAS CATEGORIAS ELEITAS PARA GESTÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS.

                       

            A regionalização como diferenciação de áreas corresponde, grosso modo, à Escola da Paisagem, muito em voga no final do séc. XIX e início do séc XX. Autores como Hettner na Alemanha, Herberstson na Inglaterra e especialmente Vidal de La Blache na França, produziram clássicas monografias regionais a partir dessa abordagem, identificando na superfície da Terra, espaços em várias escalas e com diversas características paisagísticas, daí o nome Escola da Paisagem. A paisagem geográfica, de acordo com Pereira, (2000): “era o próprio método regional e a região era a área coinscidente a uma determinada paisagem geográfica”.

            A abordagem, até 1960, definia região, como uma área possuidora de certa homogeneidade, contínua, porém tendo limites não definidos com clareza. Entretanto, tal enfoque começou a efrentar problemas de coerência, principalmente ao tratar espaços maiores a partir da união-espacial das partes do todo subdividido. Estas partes, as regiões não se articulavam entre si, o que levou ao abandono do conceito de síntese regional. Para enfrentar o problema é adotada uma postura dualistica. Assim:

            “Sem dúvida houve uma involução metodológica entre as sínteses regionais da escola vidaliana e a dicotomização da abordagem regional. Aquelas consideravam a organização do espaço como uma totalidade, através da inter-relação dos fenômenos físicos, bióticos e sociais, pelo menos em nível de regiões. Com o tratamento dualístico, através de regiões homogêneas e formais, a organização do espaço como uma”sintese” deixou de ser considerada . Hartshorne (1969) percebeu a limitação da abordagem  dualistica  no método regional quando  afirmou “que os geógrafos empregam a palavra região  para denotar  conceitos diversos e que conceitos de região formal e funcional são conceitos de integração  parcial” ( Duarte, 1980).

          A Regionalização como instrumento de Ação é fundamentalmente associado às teorias econômicas de desenvolvimento regional e de localização, o que fomentou as idéias de planejamento regional como estratégia de desenvolvimento econômico. A regionalização, então deixa de ser um instrumento teórico, acadêmico, nas mãos de geógrafos, para tornar-se um instrumento prático, de função político-econômico. Passa a constituir-se em uma atividade interdisciplinar na qual estão envolvidas umas séries de disciplinas e de categorias profissionais, vindo mesmo a constituir-se em uma nova ciência, a Ciência Regional. Pereira, (2000).

           Aspectos relacionados à gestão dos recursos hídricos, que, de acordo com Pereira, (2000),  devem ser assim considerados :

            O conceito de região pode ser aplicado a toda parte do espaço-unidade espacial a partir de propósitos quaisquer, Duarte, (1980) nos afirma que:

                A região, como objeto do conhecimento, estudada teoricamente, deixa de ter importância; importa apenas se tem propósito específico;

                O termo região, para os economistas, é aplicado como sinônimo de espaço econômico.

              Os espaços econômicos são homogêneos ou funcionais

               As regiões funcionais também chamadas de nodais, são conceituadas como regiões polarizadas.

              A partir de uma visão que privilegia a análise da dinâmica econômica, é aplicada uma teoria chamada de Teoria da Centralidade.

              A Teoria da Centralidade identifica os “centros” de distribuição de bens e serviços.

               A Teoria da Centralidade pode ser identificada com a teoria de pólos de desenvolvimento.

Assim as regiões funcionais são aquelas que expressam relações-fluxos, movimentos entre áreas.

 

                A Regionalização como Processo parte da idéia de que as diferenciações regionais são frutos de processos sociais e econômicos.

 

           A sustentabilidade tem como um dos seus pressupostos, e condição sine quanon, o planejamento territorial, sendo condições para a viabilização democrática desse ordenamento territorial Pereira, (2000).

               Becker, (1995), ao apontar o desenvolvimento regional partiu da idéia que o desenvolvimento sustentável não se resume à relação harmoniosa entre economia e ecologia, não sendo também uma questão puramente técnica. Segundo ela trata-se, antes de tudo, de um mecanismo de regulação de uso do território, sendo, portanto um instrumento político.

              “Enquanto a reconversão produtiva ou a economia flexível se implementam na prática e na teoria econômica para atender às novas exigências, o desenvolvimento sustentável constitui a face territorial da nova forma de produzir, a versão contemporânea da teoria e dos modelos de desenvolvimento regional” Becker, (1995).

            Para a referida autora, o novo modelo se fundamenta no uso máximo e ótimo das potencialidades locais em recursos humanos, e na gestão descentralizada do território, entendida como um processo em que os esforços do desenvolvimento são baseados na parceria construtiva entre atores do desenvolvimento por meio da discussão direta, onde normas e ações são estabelecidas e responsabilidades e competências são definidas. Privilegia-se, assim, o poder local como base do desenvolvimento. Becker, (1995).

                 Sob essa proposta de harmonia e democratização, remontam, contudo questões a serem esclarecidas. Primeira, não são contempladas variáveis cruciais do desenvolvimento, quais sejam a relação ótima entre tecnologia / investimento no espaço e no tempo, o balanço energético adequado, o acesso às redes de informação, e a educação, chave para todas as demais variáveis. “Becker, (1995)”.

               Outro ponto fundamental é o acesso e em muitos casos a construção de redes de informação quando se pensar, por exemplo, num sistema nacional de gerenciamento dos recursos hídricos.

                 A gestão é uma prática que visa superar a crise do planejamento, que apresenta dificuldades crescentes em controlar as variáveis econômicas e políticas do território. Já na década de 70, torna-se patente a incapacidade do planejamento manter-se em bases técnicas e centralizadas; passou a necessitar, por um lado, de novas formas de controle social.

            A prática da gestão expressa um fato novo no planejamento: a incorporação do princípio das relações de poder, ou seja, da governabilidade, superando o escopo de administração e das finalidades econômicas. Resulta, assim, que a gestão se constitui como fundamento do planejamento da diferença, da possibilidade de competir, o que pode significar formas mais democráticas ou mais excludentes de representação.

               A difusão do modelo tende a ser inevitável por razões éticas, e por imperativos econômicos e geopolíticos, mas há que avaliar o seu significado para os países periféricos e semiperiféricos.  Para esses países, a não adoção do modelo pode significar menor velocidade de recuperação econômica e, no caso das semiperiferias, retrocesso à posição periférica com agravamento das condições sociais. Mas a conscientização da necessidade de assumir um novo padrão de inserção na ordem mundial, e nas melhores condições possíveis, exige também a avaliação dos riscos contidos na passagem ao novo modelo.

 

 
 
 
CONCLUSÃO

 

            A água é o segundo elemento vital para todos os seres vivos, e é preocupante saber que este elemento está se esgotando devido ao uso inadequado, portanto a mobilização de todos para que este recurso não se esgote é mais do que necessário.  O Brasil é o país que possui uma das maiores reservas em quantidade de água doce e, para que a mesma não venha a desaparecer, foi necessário criar normas e leis para garantir que o seu uso se dê de maneira sensata (objetivos).

            Novas metologias de gestão dos recursos hídricos deverão surgir, já que o momento é renovador dentro dos princípios da nova Lei que norteia o Sistema Nacional dos recursos hídricos no Brasil.

 

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Nota


[1] Prof. Dr. do Departamento de Geografia da UFF. E mail : flaviogeo@vm.uff.br .