Governança mundial – tese 2
Helio de Araujo Evangelista
( www.feth.ggf.br )
Texto 1
Nossa
tese é de que na conformação da governança mundial não há espaço para a
religião !
Na
conformação da governança mundial há uma verdadeira disputa pelas consciências,
elemento vital para se alcançar a conformação de um estado de direito ( que
pouco diferenciaria de um estado policial ( geneticamente manipulado ) )[1]
. Este aspecto abre um claro confronto com a religião pois esta se aninha
justamente nas consciências das pessoas .
Não
foram poucas as experiências históricas pelas quais se teve claro que o
controle de uma população não se realizaria estritamente pela força. Milhões de
pessoas podem vir a ser assassinada, mas suas idéias brotarão em outro momento
com mais força. Há de ocorrer um eficiente controle dos corações porque só
assim ocorrerá a subordinação do individual á comunidade, do cidadão ao Estado,
a segurança do grupo acima da segurança individual.
Neste
sentido, não haverá espaço para as religiões porque estas têm por referência
algo que transcende a autoridade humana podendo contraditar ao acordado entre
as autoridades, os titulares do estado de direito. A religião não se pauta por
um estado de direito civil, mas por uma revelação!
Esta
situação nos ajuda a compreender um acréscimo na silenciosa, e antiga, luta
contra as religiões. Nos dias atuais, ainda não se recorre maciçamente à
extinção física dos crentes, mas se dilapida as bases morais e psicológicas
sobre as quais a experiência religiosa se apóia.
Texto 2
A
mídia procura ocupar-se com a intimidade da pessoa. Ela está a oferecer
verdadeiros ícones, estrelas que são divinizadas, cercadas por uma verdadeira
áurea de reverência, mas de permeio vão
semeando valores, aspectos, notícias que afrontam profundamente os preceitos
religiosos! Há muito a mídia afastou-se do talento artístico; o fundamental a
um candidato à estrela é a ambição. Ambição em aparecer, acontecer, e estar
disposto aos mais disparatados papéis ou posições que possam ser solicitados.
Não cabe mais talentos com valores próprios, o fundamental é a maleabilidade,
às vezes do próprio caráter!
Não importa o senso ético ou moral, o importante é a inserção da imagem
segundo um desígnio que proporcione um produto inusitado, exótico, exclusivo,
ou despudorado, o que seja ... As pessoas não se destacam pelo que pensam ou
pelos seus gestos heróicos... A mídia não se pauta pela meritocracia... Não
raro, coisas perdidas no tempo e lugar adquirem uma notabilidade que foge às
expectativas. O essencial está no desígnio. Desígnio este que, às vezes, se
apóia nas pessoas que pensam, que cometem gestos heróicos... Mas a escolha
deste fato e não de outro está orientado por desígnios que há muito fogem de
nossa alçada.
Desígnio aqui significa algo variável, atrelado à estratégia de
merchandising, mas também com caráter político ( ora sendo um, ora sendo outro,
ora as duas coisas ( uma mais importante que a outra, vice-versa )). Assim, o
desígnio está calcado na circunstância, mas orientado pelo domínio, domínio da
mente ( e do tempo do raciocínio ), do coração ( e do tempo da emoção ( =
sentimento, arrependimento etc. ) . O desígnio tem na mídia o esforço de
hipnotizar ( enfeitiçar ), deixando todos absortos, estanques de si mesmos,
aptos para consumir e obedecer . Enfim, busca não deixar lugar para coisa
alguma ... inclusive para a religião.
Nunca, nós últimos cem anos, a rebeldia foi tão padronizada (
domesticada, direcionada ), pois ocorreu paralelo a mesma fortes e
perturbadores padrões de consumo !
Texto 3
A luta contra a religião tem como fundamental arma a desmoralização da
mesma através da conformação da opinião pública. A noção do sagrado passa a ser
ferozmente combatida de várias maneiras! Desde a descaracterização do sentido
religioso de certas datas, valores morais estabelecidos ( por exemplo, a
fidelidade conjugal ), até chegarmos ao absurdo de se negar a morte; procura-se
tratar este transe tão corriqueiro a qualquer ser humano como algo indolor !
Os novos cemitérios ( com lindos gramados ), a cremação ( que já não
deixa mais a obrigação de uma visita ao túmulo ) , o modo como o dia dos
finados é tratado ( virou feriadão ), etc. decorrem de um processo cultural (
diria político ) que visa entendermo-nos senhores de nós mesmos, pessoas
destinadas à felicidade ( doa a quem doer ) .
E não poucas pessoas embarcam nesta estúpida crença de sermos senhores
de nós mesmos, ávidos por felicidades sensitivas, cada qual sendo a estrela do
seu próprio sistema solar... E dá-lhe consumo, novas viagens, novas situações,
novos filmes, novos hábitos, e haja conta corrente, cartão de crédito, cheque
especial, etc.
No entanto, a morte é um duro recado de que a vida não é para ser
usufruída como sorvete pois é fugaz, mas um convite para nos abeirarmos do
mistério que significa nossa existência ! Neste sentido, a morte tem um caráter
didático de nos exigir algo a mais do que possa oferecer a prateleira mais bem
organizada de um shopping!
Texto 4
Passei por quatro ciclos de sessões de quimioterapia, sendo que cada ciclo tinha sete aplicações.
Em cada ciclo, alternava cinco aplicações realizadas numa única semana seguida de duas outras nas duas semanas subseqüentes; em seguida, na quarta semana, era iniciado um novo ciclo.
Foram três meses de medicação, sendo que as aplicações ocorridas durante os cinco dias da semana duravam de 4 a 6 horas cada uma.
Da situação, aprendi que a luta contra o câncer tem duas dimensões muito claras; a primeira diz respeito ao seu aspecto clínico, ou seja, a necessidade de se encontrar uma boa equipe médica, um bom hospital, diagnóstico acertado, terapia acessível, etc.
A outra dimensão, tão fundamental quanto a primeira, diz respeito à estrutura existencial da pessoal, ou seja, o câncer não atinge apenas o corpo, mas também o sentido de vida da pessoa! A luta contra o câncer é uma luta contra a morte; e a morte nos assusta porque nos chega enquanto nada. Na morte perderemos tudo...afetos, patrimônio, projetos, esperanças...
A conscientização desta nossa nulidade nos deixa pensativo... Vale a pena tudo isto? Tanto esforço para quê? Alcançar uma sobrevida de alguns meses ou anos que logo passarão... E aí a imaginação toma asas, e às vezes a mente não resiste, chegamos a tocar na demência!
Particularmente, em momento algum perdi a serenidade; mas, por força da vivência adquirida no tratamento numa clínica, na qual durante as sessões o assunto ordinário era o tipo de câncer que cada um contraiu e como enfrentava a situação, me foi possível perceber quão importante é a base existencial da pessoa para enfrentar as situações limites que a vida proporciona!
Texto 5
Há um provérbio comum entre os habitantes do Quênia (África ), a saber: “Quando há um amigo no alto do monte; é mais fácil subir a montanha”.
Não raro a vida se apresenta como uma íngreme encosta, particularmente quando passamos por momentos difíceis como os trazidos por uma doença, mas a religião nos revela a existência de um amigo!
[1] Por estado de direito entendemos ser a sociedade, a sociedade global, regida por normas que subordinam toda população do planeta e tenham uma mesma e básica constituição legislativa. O que estamos a observar é que a constituição da governança mundial, em substituição às quadrículas de poder representadas pelos estados nacionais, está a exigir uma profunda mudança cultural com novos parâmetros e valores no intuito de sustentar uma nova base legal da organização social, o chamado estado de direito. E dada a amplitude da empreitada, este estado de direito só se afirmaria pela força psicológica ( tendo também como recurso a manipulação genética, e por último, a força física propriamente dita ).