Governança mundial – tese 2 ( janeiro de 2002 )

 

Helio de Araujo Evangelista

 

( www.feth.ggf.br )

 

Texto 1

Nossa tese é de que na conformação da governança mundial não há espaço para a religião !

Na conformação da governança mundial há uma verdadeira disputa pelas consciências, elemento vital para se alcançar a conformação de um estado de direito ( que pouco diferenciaria de um estado policial ( geneticamente manipulado ) )[1] . Este aspecto abre um claro confronto com a religião pois esta se aninha justamente nas consciências das pessoas .

Não foram poucas as experiências históricas pelas quais se teve claro que o controle de uma população não se realizaria estritamente pela força. Milhões de pessoas podem vir a ser assassinada, mas suas idéias brotarão em outro momento com mais força. Há de ocorrer um eficiente controle dos corações porque só assim ocorrerá a subordinação do individual á comunidade, do cidadão ao Estado, a segurança do grupo acima da segurança individual.

Neste sentido, não haverá espaço para as religiões porque estas têm por referência algo que transcende a autoridade humana podendo contraditar ao acordado entre as autoridades, os titulares do estado de direito. A religião não se pauta por um estado de direito civil, mas por uma revelação!

Esta situação nos ajuda a compreender um acréscimo na silenciosa, e antiga, luta contra as religiões. Nos dias atuais, ainda não se recorre maciçamente à extinção física dos crentes, mas se dilapida as bases morais e psicológicas sobre as quais a experiência religiosa se apóia.

 


Texto 2

 

A mídia procura ocupar-se com a intimidade da pessoa. Ela está a oferecer verdadeiros ícones, estrelas que são divinizadas, cercadas por uma verdadeira áurea de reverência, mas de permeio vão semeando valores, aspectos, notícias que afrontam profundamente os preceitos religiosos! Há muito a mídia afastou-se do talento artístico; o fundamental a um candidato à estrela é a ambição. Ambição em aparecer, acontecer, e estar disposto aos mais disparatados papéis ou posições que possam ser solicitados. Não cabe mais talentos com valores próprios, o fundamental é a maleabilidade, às vezes do próprio caráter!

Não importa o senso ético ou moral, o importante é a inserção da imagem segundo um desígnio que proporcione um produto inusitado, exótico, exclusivo, ou despudorado, o que seja ... As pessoas não se destacam pelo que pensam ou pelos seus gestos heróicos... A mídia não se pauta pela meritocracia... Não raro, coisas perdidas no tempo e lugar adquirem uma notabilidade que foge às expectativas. O essencial está no desígnio. Desígnio este que, às vezes, se apóia nas pessoas que pensam, que cometem gestos heróicos... Mas a escolha deste fato e não de outro está orientado por desígnios que há muito fogem de nossa alçada.

Desígnio aqui significa algo variável, atrelado à estratégia de merchandising, mas também com caráter político ( ora sendo um, ora sendo outro, ora as duas coisas ( uma mais importante que a outra, vice-versa )). Assim, o desígnio está calcado na circunstância, mas orientado pelo domínio, domínio da mente ( e do tempo do raciocínio ), do coração ( e do tempo da emoção ( = sentimento, arrependimento etc. ) . O desígnio tem na mídia o esforço de hipnotizar ( enfeitiçar ), deixando todos absortos, estanques de si mesmos, aptos para consumir e obedecer . Enfim, busca não deixar lugar para coisa alguma ... inclusive para a religião.

Nunca, nós últimos cem anos, a rebeldia foi tão padronizada ( domesticada, direcionada ), pois ocorreu paralelo a mesma fortes e perturbadores padrões de consumo !

 


Texto 3

A luta contra a religião tem como fundamental arma a desmoralização da mesma através da conformação da opinião pública. A noção do sagrado passa a ser ferozmente combatida de várias maneiras! Desde a descaracterização do sentido religioso de certas datas, valores morais estabelecidos ( por exemplo, a fidelidade conjugal ), até chegarmos ao absurdo de se negar a morte; procura-se tratar este transe tão corriqueiro a qualquer ser humano como algo indolor !

Os novos cemitérios ( com lindos gramados ), a cremação ( que já não deixa mais a obrigação de uma visita ao túmulo ) , o modo como o dia dos finados é tratado ( virou feriadão ), etc. decorrem de um processo cultural ( diria político ) que visa entendermo-nos senhores de nós mesmos, pessoas destinadas à felicidade ( doa a quem doer ) .

E não poucas pessoas embarcam nesta estúpida crença de sermos senhores de nós mesmos, ávidos por felicidades sensitivas, cada qual sendo a estrela do seu próprio sistema solar... E dá-lhe consumo, novas viagens, novas situações, novos filmes, novos hábitos, e haja conta corrente, cartão de crédito, cheque especial, etc.

No entanto, a morte é um duro recado de que a vida não é para ser usufruída como sorvete pois é fugaz, mas um convite para nos abeirarmos do mistério que significa nossa existência ! Neste sentido, a morte tem um caráter didático de nos exigir algo a mais do que possa oferecer a prateleira mais bem organizada de um shopping!

 

 


Texto 4

Passei por quatro ciclos de sessões de quimioterapia, sendo que cada ciclo tinha sete aplicações.

Em cada ciclo, alternava cinco aplicações realizadas numa única semana seguida de duas outras nas duas semanas subseqüentes; em seguida, na quarta semana, era iniciado um novo ciclo.

Foram três meses de medicação, sendo que as aplicações ocorridas durante os cinco dias da semana duravam de 4 a 6 horas cada uma.

Da situação, aprendi que a luta contra o câncer tem duas dimensões muito claras; a primeira diz respeito ao seu aspecto clínico, ou seja, a necessidade de se encontrar uma boa equipe médica, um bom hospital, diagnóstico acertado, terapia acessível, etc.

A outra dimensão, tão fundamental quanto a primeira, diz respeito à estrutura existencial da pessoal, ou seja, o câncer não atinge apenas o corpo, mas também o sentido de vida da pessoa! A luta contra o câncer é uma luta contra a morte; e a morte nos assusta porque nos chega enquanto nada. Na morte perderemos tudo...afetos, patrimônio, projetos, esperanças...

A conscientização desta nossa nulidade nos deixa pensativo... Vale a pena tudo isto? Tanto esforço para quê? Alcançar uma sobrevida de alguns meses ou anos que logo passarão... E aí a imaginação toma asas, e às vezes a mente não resiste, chegamos a tocar na demência!

Particularmente, em momento algum perdi a serenidade; mas, por força da vivência adquirida no tratamento numa clínica, na qual durante as sessões o assunto ordinário era o tipo de câncer que cada um contraiu e como enfrentava a situação, me foi possível perceber quão importante é a base existencial da pessoa para enfrentar as situações limites que a vida proporciona!

 


Texto 5

Há um provérbio comum entre os habitantes do Quênia (África ), a saber: “Quando há um amigo no alto do monte; é mais fácil subir a montanha”.

Não raro a vida se apresenta como uma íngreme encosta, particularmente quando passamos por momentos difíceis como os trazidos por uma doença, mas a religião nos revela a existência de um amigo!

 

Existência de Deus

 

Santo Josemaría Escrivá

 

Santa Terezinha

 

 

 



[1] Por estado de direito entendemos ser a sociedade, a sociedade global, regida por normas que subordinam toda população do planeta e tenham uma mesma e básica constituição legislativa. O que estamos a observar é  que a constituição da governança mundial, em substituição às quadrículas de poder representadas pelos estados nacionais, está a exigir uma profunda mudança cultural com novos parâmetros e valores no intuito de sustentar uma nova base legal da organização social, o chamado estado de direito. E dada a amplitude da empreitada, este estado de direito só se afirmaria pela força psicológica ( tendo também como recurso a manipulação genética, e por último, a força física propriamente dita  ).